História

Teatro Municipal – Casa da Ópera (1770)

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Considerado o teatro mais antigo das Américas em funcionamento, a Casa da Ópera de Vila Rica, sua antiga denominação, foi construída pelo coronel João de Souza Lisboa, dentro da tradição arquitetônica luso-brasileira. Sua localização, no Largo do Carmo, não lhe dá nenhum destaque entre o casario vizinho.

     Edifício de fachada singela, lembra a austeridade da arquitetura civil da época. Apresenta empena frontal, de vaga inspiração neoclássica, em constraste com aberturas em arco abatido, de tradição barroca, e elementos medievalizantes, óculo quadrilobado e arcaturas acompanhando a cornija da empena. Seu interior, também acanhado, segundo as palavras do viajante francês Saint-Hilaire, constituía-se de quatro ordens de camarotes, encerrados por balaustradas de madeira recortada. A sala de espetáculos, originalmente, era iluminada por velas entre os camarotes.

    O Teatro Municipal de Ouro Preto, custou 16 mil cruzados a João de Souza Lisboa, construtor e proprietário da obra, concluída em 1769. Contratador dos reais quintos e das entradas, Souza Lisboa, fascinado pela arte teatral, recebeu desde o início apoio do Conde de Valadares, governador da Capitania, e de seu secretário, o poeta Cláudio Manoel da Costa. Enquanto viveu, Souza Lisboa esteve à frente da Casa da Ópera de Vila Rica, contratando atores em Sabará e no Tijuco, relacionando nomes de personalidades influentes – intelectuais, militares, políticos – capazes de prestigiá-lo em momentos decisivos, preocupando-se com a pintura e a decoração do prédio.

   Em carta a um amigo, Joaquim José freire de Andrade, intendente do ouro em Goiás, Souza Lisboa destaca e valoriza o fato inovador de haver substituído os homens travestidos de mulheres por atrizes, e uma delas desempenhava o papel com “todo o primor, melhor que as do Rio de Janeiro”. Inevitável, portanto, que a casa da Ópera de Vila Rica morresse um pouco com seu criador, em 1778. Ressurgiu oito anos depois, triunfalmente, nas festas dos desposórios do infante D. João, com três noite de ópera e a presença esperada e aplaudida de Joana Maria, Violanta Mônica e A. Fontes. A partir daí, sob diferentes administradores, a Casa da Ópera viveu períodos de altos e baixos, sem, no entanto, deixar de funcionar. Por volta de 1817, com as atenções do poder público voltadas para suas necessidades de reforma e manutenção, reviveu os antigos dias de glória, que ameaçavam tornar-se cada vez mais distantes. Centro dos anseios culturais da sociedade, a Casa da Ópera reagia positivamente ao interesse da comunidade. Em 1820, o entusiasmo do público e das companhias era tão grande que os espetáculos chegaram a ser semanais. O público, sem se importar com a dificuldade do acesso à acidentada Rua de Santa Quitéria, lotava, a cada semana, as galerias e a platéia central, num plano um pouco inferior ao palco.

      O escritor Affonso Ávila, autor de “O Teatro em Minas Gerais: Séculos XVIII e XIX” afirma: “A quem visita hoje o Teatro Municipal de Ouro preto, antiga Casa da Ópera, parece ainda tomá-lo de uma atmosfera de envolvimento, de impacto dramático, lembrando nisso o clima barroco, que era o ambiente propício de seus primeiros frequentadores e seus primeiros espetáculos”. A atmosfera de envolvimento quase desaparece completamente em 1885, quando o governo provincial chega a planejar a construção de um novo teatro em Vila Rica que, Capital, merecia. Ao passar o governo da Província para seu sucessor, conselheiro Herculano Ferreira Penna, o presidente Francisco Diogo Pereira de Vasconcelos declara: “V. Exc. resolverá com parecer mais acertado, dotando esta cidade com um edifício que proporcione a seus habitantes algumas distrações, aproveitando os talentos e a propriedade de alguns jovens, que muito se acanham trabalhando no antigo teatro próximo a desabar”. Nem o Teatro desabou, nem construíram outro. E a reforma, concluída após sete anos, “foi executada com perfeição e economia”. No entanto, persistentes, governantes e governados de Vila Rica continuam, no final do século XIX, a sonhar com um teatro espaçoso, confortável, moderno. Entre vários motivos, um sobressai: com a ameaça de transferir a Capital para outro local, quem sabe a construção de um grande teatro modificasse os fatos? Os fatos foram modificados no final do século XIX, em Vila Rica, em Minas Gerais e no resto do país com a chegada do fonógrafo e do cinema. Os teatros viram a frequência reduzida, e o de Ouro Preto não fugiu à regra. No entanto, aos poucos a convivência entre o antigo e o novo foi-se estruturando, cada qual ocupando o próprio espaço. Mais uma vez, o Teatro Municipal de Ouro Preto não fugiu à regra. Atualmente o Teatro funciona plenamente com apresetações que acontecem, em média, três vezes por semana, mantendo vivo o espírito artístico que sempre sustentou  a sua existência.

Fonte: http://www.ctac.gov.br

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